domingo, 8 de março de 2026

8 de março - Dia Internacional da Mulher

 

    Nesta data significativa, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte celebra a importância e o brilho de suas sócias. Mulheres que, com sensibilidade e profundidade, guardam a nossa memória do passado e difundem a cultura na atualidade, provando que a história potiguar só é completa quando escrita por mãos femininas.
    A presença dessas mulheres é o pilar que sustenta a evolução da nossa cultura. Ocupando espaços de saber, elas preservam o patrimônio do nosso estado, inspiram futuras gerações a compreenderem que a ciência e a pesquisa são territórios de direito e de excelência da mulher.

sábado, 7 de março de 2026

Sócios efetivos do IHGRN participam do VII Congresso Internacional de Riscos em Portugal

 
    Os professores Joacir Rufino de Aquino e Raimundo Inácio da Silva Filho, sócios efetivos do IHGRN, participam do VII Congresso Internacional de Riscos, em Portugal. O evento acontece entre os dias 26 e 29 de maio de 2026 na Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Trata-se de um evento científico dedicado à análise de riscos naturais, focado na temática "Recursos Naturais, Energia e Sociedade: riscos globais e caminhos para a sustentabilidade".
    Docentes e pesquisadores da Universidade do Estado do Rio Grande do Norte (UERN), Joacir Rufino e Raimundo Inácio apresentam trabalhos intitulados “Os riscos do circuito espacial de produção da cerâmica vermelha ao meio ambiente do Vale do Açu: uma análise do município de Itajá/RN/Brasil” e “Gestão e gerenciamento do lixo urbano nos municípios do Brasil: situação recente e desafios futuros”.
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, orgulhosamente, parabeniza os sócios pela participação neste evento de alto rigor científico, que reafirma o prestígio acadêmico da instituição em solo europeu. Os pesquisadores não apenas contribuem para o debate contemporâneo sobre vulnerabilidades e resiliência, como também fortalecem o intercâmbio de saberes entre o Nordeste brasileiro e a comunidade científica internacional.
    Essa representação posiciona a Casa da Memória como um centro ativo de produção de conhecimento que ultrapassa a preservação da memória, validando a excelência do quadro intelectual do Instituto, abrindo portas para novas parcerias que integram a história e a geografia potiguar aos grandes eixos de discussão do mundo atual.

Texto: Marcela Bulhões

terça-feira, 3 de março de 2026

A geografia do sertão que ajudou a erguer um clássico nacional

 Revista do IHGRN revela consultoria de Oswaldo Lamartine a Rachel de Queiroz em "Memorial de Maria Moura"
    Um dos grandes clássicos da literatura brasileira do fim do século XX guarda, em suas entranhas, a contribuição decisiva de um potiguar. A edição 103 da revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN), a mais antiga publicação em circulação no estado, revela a consultoria prestada por Oswaldo Lamartine de Faria à escritora cearense Rachel de Queiroz na construção do romance "Memorial de Maria Moura".
    No artigo “Uma geografia para Maria Moura”, o jornalista e escritor Gustavo Sobral, sócio do IHGRN, reconstrói essa história pouco conhecida. Reconhecido como “sertanólogo”, Oswaldo Lamartine dedicou grande parte de sua obra ao estudo do Seridó e do universo sertanejo. Entre suas muitas facetas, estava a de consultor especializado em assuntos do sertão, função que exerceu quando Rachel preparava o romance publicado em 1992.
    Segundo Sobral, Lamartine levou a tarefa a sério. Produziu manuscritos e desenhos reunidos sob o título “A Geografia de Maria Moura”, material concebido como base documental e imagética para dar consistência histórica, territorial e cultural à narrativa. Parte desse conteúdo, verdadeira matéria-prima do romance, é disponibilizada na íntegra na nova edição da revista.
    O material impressiona pela minúcia. Oswaldo descreve e desenha aspectos centrais da vida sertaneja: o uso do burro-mulo, as técnicas de açudagem, a dinâmica da caatinga, o manejo do gado, a arquitetura das casas e currais, além de detalhes de utensílios domésticos. Nada lhe parece pequeno demais. Ele escreve com precisão quase etnográfica e, ao mesmo tempo, traduz em traços aquilo que explica em palavras, oferecendo não apenas informações, mas uma verdadeira cartografia cultural do sertão.
    A própria Rachel deixou registrado o reconhecimento pela colaboração, ainda no início dos anos 1990. “Oswaldo levou a sério a tarefa e passou a me fornecer toda espécie de informação que eu lhe solicitava”, afirmou. Em outro trecho, reforça a dimensão do saber do potiguar: “Acho que, no Brasil, ninguém entende mais do sertão e do Nordeste do que Oswaldo”.
    A edição 103 amplia o olhar sobre essa contribuição ao trazer também o artigo “Os desenhos de Oswaldo Lamartine”, assinado pela doutora e artista visual Angela Almeida, também sócia do instituto, que analisa a dimensão gráfica do material produzido. O estudo destaca como os traços e esquemas elaborados pelo "sertanólogo" ultrapassam o caráter ilustrativo, configurando-se como parte essencial da arquitetura simbólica que sustentou o romance.
    Ao recuperar esse episódio, a revista do IHGRN não apenas ilumina os bastidores de uma obra consagrada, mas reafirma a importância da produção intelectual potiguar na construção de narrativas centrais da literatura brasileira. A revista pode ser adquirida diretamente na sede do Instituto, na Rua da Conceição, em Natal, onde o público tem acesso à publicação e ao acervo da instituição.

Texto: Octávio Santiago
Imagem: Maria Simões