quarta-feira, 9 de setembro de 2026

A história da Praça Pedro Velho, refúgio urbano de Natal

 
    Marco da capital potiguar, a Praça Pedro Velho localiza-se no bairro de Petrópolis, tendo um histórico antigo e de muitas transformações. O espaço nasceu por meio da Resolução nº 55 de 1901, na gestão do coronel Joaquim Manoel Teixeira de Moura (Quincas Moura), cargo equivalente ao de prefeito.
    O nome do espaço foi dado em homenagem a Pedro Velho de Albuquerque Maranhão (1856-1907), o primeiro governador do Rio Grande do Norte. Médico e jornalista macaibense, foi bastante influente na época, exercendo papel central na articulação da República no estado. Participou, em 1889, da fundação do Partido Republicano do Rio Grande do Norte e do jornal A República.
    Segundo o historiador Câmara Cascudo, durante os anos 1910 e 1920 a praça era como um imenso "tabuleiro de relva", um gramado aberto frequentemente usado em partidas de futebol. Na planta original, de 1924, a praça tinha o espaço de quatro quarteirões, sendo reduzido pela metade em 1929 com o “Plano Geral de Systematização da Cidade de Natal”. A inauguração ocorreu somente oito anos depois, em 1937.
    O nome popular "Praça Cívica" é resultante do contexto político da época do regime militar (1964-1985), que apelava para o civismo e amor à pátria como forma de legitimar o poder. Tradicionalmente, nela são promovidos festejos da semana da pátria e o Desfile Cívico de 7 de Setembro.
    O desenho antigo tinha coretos, quadra de esportes, tanques com animais e jardins. A modernização da praça retirou alguns desses itens, dando lugar a iluminação moderna, rampas e fonte. O busto de Pedro Velho e uma estátua centenária que representa a Pátria já foram alvo de vandalismo, sendo restaurados em 2022 pelo escultor e artista plástico Eri Medeiros.

Texto: Marcela Bulhões
Imagens: Reprodução

terça-feira, 8 de setembro de 2026

Poetisa macaibense Auta de Souza homenageada nesta Quinta Cultural (10) do IHGRN

 
    Nesta quinta-feira, dia 10, o Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte realiza a tradicional Quinta Cultural, que conta com a participação de Diva Cunha, sócia da instituição. A palestra “150 anos de Auta de Souza” celebra o sesquicentenário de nascimento da poetisa macaibense Auta Henriqueta de Souza (1876-1901), patrona da cadeira nº 51 do IHGRN.
    Apesar da vida breve, Auta de Souza deixou um legado que ecoa na atualidade. À frente do seu tempo, foi autodidata, aprendeu outras línguas e começou a produzir poesia aos 16 anos. Enfrentando o preconceito contra mulheres escritoras, sua presença nos círculos intelectuais era constante. Publicou o livro Horto (1900), o único de sua carreira, recebendo prefácio de Olavo Bilac e projeção nacional na imprensa da época.

Sobre a palestrante
    Diva Maria Cunha Pereira de Macedo, sócia efetiva do IHGRN, ocupa a cadeira nº 30 desde 2018. É professora, pesquisadora, poeta e escritora, tendo lançado diversos livros sobre literatura potiguar e literatura portuguesa. É considerada uma grande poeta da contemporaneidade, tendo temas recorrentes como o universo feminino, a identidade cultural local e a literatura potiguar.

    A Quinta Cultural é uma dos projetos permanentes do IHGRN, voltado à difusão do conhecimento histórico e à valorização da memória cultural do Rio Grande do Norte. Os eventos são realizados periodicamente na sede da Casa da Memória, tendo como objetivo aproximar a sociedade da produção intelectual e cultural da instituição. 
    O evento é gratuito e realizado no Salão Nobre, com capacidade para 50 pessoas. No local são vendidas a Revista do IHGRN, a nova edição do livro “Responsabilidade Civil do Estado”, de Amaro Cavalcanti, e outras publicações.

Serviço
Quinta Cultural - Palestra “150 anos de Auta de Souza”
Local: Salão Nobre do IHGRN - Rua da Conceição, 622, Cidade Alta, Natal/RN
Data: 10 de setembro de 2026
Horário: 17h
Entrada gratuita

Texto: Marcela Bulhões
Imagem: Maria Simões

quinta-feira, 27 de agosto de 2026

Instituto Histórico e Geográfico do RN publica a 104ª edição de sua revista

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte acaba de publicar a Revista do IHGRN #104, sua publicação mais tradicional. É produzida desde 1903 de forma contínua, sendo a publicação mais longeva do estado.
    A nova edição celebra e explora diversos centenários. Dois periódicos criados em 1926 no interior do estado, sendo eles o Jornal das Moças, na cidade de Caicó, feito por um grupo de mulheres liderado pela professora Georgina Pires; A Salinésia, jornal criado por um grupo de jovens no município de Macau.
    Em 1926 também aconteceram fatos históricos, como a fundação da Federação Espírita do RN e a passagem da Coluna Prestes por São Miguel, um dos marcos do movimento tenentista. A edição aborda ainda centenários de nascimento de dois célebres potiguares que deixaram rico e permanente legado intelectual, o folclorista Deífilo Gurgel e o escritor e aviador Pery Lamartine.
    A edição #104 é fruto de um esforço coletivo e árduo em prol do compromisso da instituição em preservar, pesquisar e difundir a história, a geografia e a cultura potiguar. Contando com recursos financeiros sempre escassos, a publicação foi possível graças à brilhante e dedicada equipe de editores e colaboradores envolvida no projeto, a quem a instituição manifesta profundo agradecimento.
    A imagem da capa foi gerada por inteligência artificial, baseada em artigos que figuram na edição, como também da reconstrução da única imagem do expedicionário José Varela existente, pertencente ao acervo do Espaço Cultural do 16º Batalhão de Infantaria Motorizado. Ajustes da composição foram sugeridos por Maria Simões.
    O lançamento pode ser adquirido na livraria do IHGRN, na sede histórica do Instituto, localizada na Rua da Conceição, no centro histórico de Natal. Custa, à vista, R$ 50 para o público geral e R$ 40 para sócios da instituição (acréscimo para pagamento na maquineta).

Texto: Marcela Bulhões (com informações de Pedro Simões)