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quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Comissão de Estudos sobre documentos de Oswaldo Lamartine - Entrevista com Gustavo Sobral

 

IHGRN: A paixão de Oswaldo Lamartine pelo sertão e sua obra são um legado indelével na literatura local e nacional sobre o tema. De onde surgiu a ideia da criação dessa comissão?

Gustavo Sobral: A documentação de Oswaldo Lamartine, infelizmente, anda dispersa e em arquivos particulares inacessíveis. Recentemente, publiquei um trabalho sobre a obra de Oswaldo Lamartine, um dicionário, e chegou até mim, pela generosidade de Murilo Paiva, uma pasta de Lamartine com documentos. O certo e o correto é que esta documentação, como é em todo mundo e até em outros estados brasileiros, fique sob a guarda de uma instituição e acessível. Esta é a razão desta comissão pioneira e deste gesto inédito. Não guardar para mim ou fazer um uso pessoal de um documento que é parte da cultura do Rio Grande do Norte e do Brasil.


IHGRN: Como estudioso da obra de Lamartine, que importância você considera ter a criação de uma comissão de estudos sobre documentos outrora pertencentes a ele?

Gustavo Sobral: O Instituto é a instituição cultural mais antiga em atividade no Rio Grande do Norte. E é a mais plural, pois não se limita à história e à geografia e tem sócios das mais diversas formações. O que acusam ser a sua fraqueza é, portanto, a sua fortaleza. Foi sempre multidisciplinar e transdisciplinar. Enquanto as universidades ainda praticam a ciência como no século XX, o instituto já vai além, envolve outros saberes, que não só o científico, e faz e sempre fez como no ensaio, o exercício livre da pesquisa uma de suas formas de expressão. Ter esta documentação em uma instituição que tem esta proposta de ação no seu bojo é ter estes documentos no lugar certo.


IHGRN: Que documentos do escritor serão seu objeto de estudo?

Gustavo Sobral: A sua pergunta nos permite pela primeira vez tornar público o que até então era de conhecimento apenas da comissão: os valiosos documentos que estão na pasta. Direi em primeira mão que fiz uma análise e escrevi uma apreciação sobre rascunhos até então inéditos de Oswaldo Lamartine para a escritora Rachel de Queiroz. Lamartine foi consultor da romancista quando ela escrevia o Memorial de Maria Moura. É uma beleza. Anotações do próprio punho e desenhos dele explicando um tanto de coisa do sertão. Uma relíquia!


IHGRN: Fale um pouco sobre as anotações de Lamartine para Rachel de Queiroz. Em que contexto foram feitas?

Gustavo Sobral: A caligrafia perfeita, tudo numerado, anotado, descrito, Oswaldo Lamartine era muito organizado e tece toda uma série de apontamentos sobre as coisas mais diversas do sertão antigo para Rachel de Queiroz situar o romance. No Dicionário Oswaldo Lamartine que acabei de publicar e que está também disponível para aquisição na sede do Instituto, reproduzo uma explicação de Rachel de Queiroz sobre como tudo começou.


IHGRN: Como a descoberta e análise desses documentos podem ajudar pesquisadores e acadêmicos em suas pesquisas?

Gustavo Sobral: Aprendi no Instituto e está lá desde o seu primeiro estatuto que é tarefa da instituição arquivar, manter, organizar e disponibilizar documentos históricos e culturais do Rio Grande do Norte. Ao publicar estes trabalhos de Oswaldo Lamartine e sobre ele, acredito que estamos apresentando-os aos interessados e inspirando aqueles que guardam documentos alheios importantes, sobretudo intelectuais, escritores e pesquisadores, que cheguem a instituições como Instituto para que tenham o mesmo propósito e finalidade.

quinta-feira, 31 de outubro de 2024

Você sabe quem foi Oswaldo Lamartine?

 
    Oswaldo Lamartine de Faria (1919-2007) foi um escritor, pesquisador e etnógrafo natalense. Filho do ex-governador Juvenal Lamartine de Faria (1874-1956), escreveu ao longo de sua carreira 21 livros sobre o sertão nordestino, uma de suas paixões.
    A vasta bibliografia do escritor é tida como valiosa e referência sobre o tema, rendendo-lhe reconhecimento nacional e um legado e o título de Doutor Honoris Causa pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN), outorgado em 2005. Lamartine é imortal da Academia Norte-Riograndense de Letras.
    Oswaldo Lamartine agora é tema da mais nova comissão de estudos do IHGRN, que se dedica à análise de documentos pertencentes ao sertanista e cedidos por sua família. O coordenador da comissão, Gustavo Sobral, publicou recentemente o “Dicionário Oswaldo Lamartine”, disponível em www.sertaoeditora.com.

Texto: Marcela Bulhões
Foto: Reprodução

terça-feira, 29 de outubro de 2024

IHGRN cria comissão de estudos sobre documentos inéditos de Oswaldo Lamartine

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte criou uma comissão pioneira para tratar de documentos que pertenceram ao escritor natalense Oswaldo Lamartine de Faria (1919-2007), autor de uma obra singular sobre o sertão e o sertão do Seridó. A primeira reunião aconteceu ontem (28) na sede da instituição.
    O grupo é formado pelo escritor Gustavo Sobral, estudioso da obra de Lamartine e coordenador da comissão; pelo Diretor de Biblioteca, Arquivo e Museu (BAM), Pedro Simões; pelo Diretor do Departamento de Pesquisa, André Felipe Pignataro; pelos sócios Honório de Medeiros e Mara Macedo; com a colaboração consultiva da pesquisadora Angela Almeida, a comissão ficará responsável pela análise da documentação.
    Os documentos foram entregues pelo sobrinho do escritor, Murilo Paiva, a Gustavo Sobral. “Trata-se de uma pasta de couro que pertenceu a Oswaldo Lamartine com documentos diversos, entre correspondência, manuscritos do autor e até fotografias”, explica Sobral, autor do recém-lançado “Dicionário Oswaldo Lamartine” (disponível em https://sertaoeditora.com/).

Texto: Gustavo Sobral e Marcela Bulhões
Foto: Weverton Nascimento

sexta-feira, 14 de outubro de 2022

Comissão de Estudos do Coronelismo e Cangaço no Rio Grande do Norte

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte possui atualmente oito comissões de estudo e pesquisa.
    Criadas para desenvolver pesquisas sobre temas da história do Rio Grande do Norte, as comissões fazem parte do Departamento de Pesquisa da instituição, dirigido pelo sócio André Felipe Pignataro e são compostas também por sócios.
    Comissão de Estudos do Coronelismo e Cangaço no Rio Grande do Norte  é coordenada por Francisco Honório de Medeiros Filho e seus componentes são os sócios Sérgio Luiz Bezerra Trindade, Angelo Mário de Azevedo Dantas, Geraldo Maia do Nascimento e Antônio Kydelmir Dantas de Oliveira.
    O grupo tem como objetivo resgatar a história do coronelismo e cangaço no estado, movimentos que pautaram o final do século XIX em termos de oligarquias e embates entre embate entre coronéis potiguares.

Texto: Marcela Bulhões
Foto: Maria Simões

Confira abaixo a entrevista com Honório de Medeiros, diretor da Comissão de Estudos do Coronelismo e Cangaço no Rio Grande do Norte:

Qual a importância do coronelismo e do cangaço para a história do Rio Grande do Norte?
Honório: Considerando que o coronelismo e o cangaço pautaram o final do século XIX (a oligarquia Maranhão e os coronéis do Seridó e Oeste potiguar; Jesuíno Brilhante, Antônio Silvino e o cangaceirismo no nosso Estado), bem como o início do século XX (o ataque a Apodi, por Massilon, e a Mossoró, por Lampião, ambos em 1927); e a violenta eleição de 1934/35, verdadeiro embate entre coronéis potiguares), fica patente a importância de estudarmos esses fenômenos no Rio Grande do Norte.

Como estão acontecendo as reuniões de trabalhos da comissão?
Honório: As reuniões são quinzenais e, até agora, não presenciais, dado o fato de que dois dos integrantes residem fora de Natal. A cada quinzena, nesta fase do projeto, um integrante da Comissão expõe qual seu objeto de estudo, sua metodologia de trabalho, qual seu propósito e, depois, abre-se o debate. Na próxima fase, a exposição ficará a cargo de convidados dos integrantes da Comissão, para esclarecimentos de aspectos relevantes do trabalho de cada um, seguido de debate. 

O que a comissão planeja fazer ao final das pesquisas?
Honório: Elaborar um relatório a ser encaminhado pela Diretoria de Pesquisas à Presidência e, uma vez aprovado, transformado em livro a ser publicado com o selo do IHGRN.

sexta-feira, 9 de setembro de 2022

Comissão de Estudos sobre Café Filho

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte possui atualmente oito comissões de estudo e pesquisa.
    Criadas para desenvolver pesquisas sobre temas da história do Rio Grande do Norte, as comissões fazem parte do Departamento de Pesquisa da instituição, dirigido pelo sócio André Felipe Pignataro e são compostas também por sócios.
    A Comissão de Estudos sobre Café Filho é coordenada por Lívio Araújo Alves de Oliveira e seus componentes são os sócios Nouraide Fernandes Rocha de Queiroz, Renan II de Pinheiro e Pereira, José Antônio Spineli Lindozo e Alexandre Cláudio de Oliveira Gurgel.
    O grupo tem como objetivo resgatar a história de João Fernandes Campos Café Filho, comumente chamado de Café Filho. Potiguar, ele foi foi o único vice-presidente e presidente da República nascido em solo potiguar.

Texto: Marcela Bulhões
Fotos: Reprodução

Confira abaixo a entrevista com Lívio Oliveira, diretor da Comissão de Estudos sobre Café Filho:

Qual a importância de Café Filho para o Rio Grande do Norte?
Lívio: Café Filho foi o único Vice-Presidente e Presidente da República nascido em solo potiguar. Somente isso já justifica a sua enorme importância. O resgate da sua história é essencial. 

Como estão acontecendo as reuniões de trabalhos da comissão?
Lívio: As reuniões estão sendo periódicas e fizemos duas. A terceira está sendo marcada. Muitos encontros informais também já ocorreram.

O que a comissão planeja fazer ao final das pesquisas?
Lívio: Ao final dos trabalhos, será feito um relatório conclusivo. Podemos fazer também relatórios parciais.

sexta-feira, 26 de agosto de 2022

Comissão de Estudos do Judiciário no Rio Grande do Norte

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte possui atualmente oito comissões de estudo e pesquisa.
    Criadas para desenvolver pesquisas sobre temas da história do Rio Grande do Norte, as comissões fazem parte do Departamento de Pesquisa da instituição, dirigido pelo sócio André Felipe Pignataro e são compostas também por sócios.
    A Comissão de Estudos do Judiciário no Rio Grande do Norte é coordenada por Ivan Lira de Carvalho e seus componentes são os sócios Cícero Martins de Macedo Filho, Maria do Perpétuo Socorro Wanderley de Castro, Carlos Adel Teixeira de Souza e Ricardo Tinoco de Goes. O grupo tem como objetivo conseguir elementos históricos e evidências da criação e do funcionamento do Poder Judiciário no estado, tendo por marcos definidores da pesquisa o ano de 1818, quando foi criada a Comarca do Rio Grande do Norte e o ano de 1990. Além disso, de forma paralela, os trabalhos da Comissão colocam em evidência a importância da ligação entre o Poder Judiciário e o IHGRN.
    Na imagem, um registro feito por Kate Coutinho de reunião realizada pela Comissão do Judiciário, com a presença de André Felipe Pignataro, Ivan Lira, Cícero Macêdo, Perpétua Wanderley, Ricardo Tinôco e Carlos Adel.
    Confira abaixo a entrevista com Ivan Lira, coordenador da Comissão de Estudos do Judiciário no Rio Grande do Norte:

Qual a importância de pesquisar sobre o Poder Judiciário do Rio Grande do Norte?
Ivan: A Comissão “A história do Poder Judiciário no Rio Grande do Norte” tem como objetivo precípuo conseguir elementos históricos e evidências da criação e do funcionamento do referido Poder nesta unidade da Federação, tendo por marcos definidores da pesquisa o ano de 1818 (ano da criação da Comarca do Rio Grande do Norte e o ano de 1990). Além disso, de forma paralela, os trabalhos da Comissão colocam em evidência a importância da ligação entre o Poder Judiciário e o IHGRN, já que, afinal, a Casa da Memória foi criada em 1902 para dar suporte a uma questão judicial do maior interesse para os potiguares (a disputa pelos limites territoriais entre Rio Grande do Norte e Ceará, conhecida como “Questão de Grossos”), além de ter entre os seus fundadores um destacado número de magistrados, como Vicente de Lemos, Olympio Vital, Meira e Sá, Ferreira Chaves, Theotônio Freire, Manoel Dantas, Moreira Dias, E no curso da sua história, o IHGRN contou com muitos magistrados integrando a sua diretoria. 

Como estão acontecendo as reuniões de trabalhos da comissão?
Ivan: A Comissão é integrada por cinco magistrados: Ivan Lira (juiz federal), Cícero Macêdo (juiz de direito), Perpétua Wanderley (desembargadora do trabalho), Ricardo Tinoco (juiz de direito) e Carlos Adel (juiz de direito aposentado). Acompanha os trabalhos da Comissão o diretor de pesquisa, André Felipe Pignataro. As reuniões estão acontecendo na primeira quarta-feira útil de cada mês, na sede do IHGRN. Entretanto, poderão ser realizadas em outros espaços ou instituições que tenham pertinência temática com o escopo da Comissão. Tanto que já foi realizada uma reunião na sede do Memorial do Poder Judiciário do Rio Grande do Norte, instituição vinculada ao Tribunal de Justiça. Mais adiante, serão realizadas reuniões nos memoriais das sedes da Justiça Federal, do Tribunal Regional Eleitoral e do Tribunal Regional do Trabalho da 21ª Região.  Como método de trabalho foram criados quatro eixos de pesquisa, com distribuição das tarefas considerando a área de atuação funcional de cada membro e também o provável volume de trabalho que a tarefa requer. Assim, justiça do trabalho, Perpétua Wanderley; justiça federal, Ivan Lira; justiça comum estadual e justiça eleitoral, Cícero Macedo, Ricardo Tinoco e Carlos Adel. A entrevista, com gravação, de pessoas ligadas aos segmentos do poder judiciário é uma das formas de coleta de material. Já foi realizada uma dessas atividades com o desembargador federal aposentado Francisco Barros Dias, relatando a sua vivência na justiça federal, inicialmente como funcionário e posteriormente como magistrado. Para a próxima sessão está prevista a participação do professor Carlos Gomes, que foi funcionário e depois magistrado da Justiça Eleitoral.
 
O que a comissão planeja fazer ao final das pesquisas?
Ivan: A elaboração de relatórios setoriais, que serão encaminhados ao Departamento de Pesquisa do IHGRN. A compilação do material apurado, para publicação de um livro, inicialmente previsto para formato e-book, sem prejuízo de tiragem de exemplares impressos, sob demanda.