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quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Revista IHGRN #103 destaca entrevista com Joventina Simões e material inédito de Oswaldo Lamartine

 
    A nova edição da Revista IHGRN (#103) chega ao público trazendo uma entrevista inédita com Joventina Simões Oliveira, presidente do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, realizada pelo jornalista Ciro Pedroza. 
    Na conversa, Joventina, primeira mulher a presidir o Instituto, reflete sobre sua trajetória e a sua trajetória na instituição, as metas para o quinquênio 2025–2030 e o papel do IHGRN na preservação da memória potiguar. A entrevista é acompanhada de seu discurso de posse, em que reafirma o compromisso com a continuidade das ações de salvaguarda e difusão do patrimônio histórico do Rio Grande do Norte.
    A edição também apresenta material inédito de Oswaldo Lamartine de Faria, textos de Rogério Bivar sobre o cavalo e a marcha no Nordeste; Ormuz Barbalho Simonetti sobre a jangada; Kamisson Azevedo e Thiago Freire sobre as ruínas do litoral potiguar; e Octávio Santiago que apresenta o projeto expográfico do Memorial da Assembleia Legislativa.
    Outro tema de relevo é a Comitiva IHGRN, documentada pelo sócio e integrante da comitiva André Felipe Pignataro Furtado de Mendonça e Menezes. A comitiva percorreu os mesmos caminhos percorridos pelo presidente da província Leão Veloso em 1861. Os diários de viagem revelam uma importante página da história intelectual e institucional do IHGRN.
    A Revista IHGRN #103 será lançada quinta-feira, 23 de outubro, às 17h, na sede do Instituto, com palestra de André Felipe Pignataro sobre o tema A Comitiva IHGRN: nos passos de Leão Veloso.

Serviço
Lançamento da Revista IHGRN 103
Quinta-feira, 23 de outubro, às 17h
Sede do IHGRN – Rua Conceição, 622, Cidade Alta, Natal

Fotos: Reprodução

sábado, 13 de setembro de 2025

IHGRN destaca a importância do livro Historiadores do Rio Grande do Norte

 
    Lançado recentemente pela editora Biblioteca Ocidente, o livro Historiadores do Rio Grande do Norte reúne perfis biográficos sobre historiadores potiguares dos séculos XIX e XX. A publicação desponta como a primeira a falar desse gênero no estado, tendo assim relevância na reafirmação do que constitui a missão do IHGRN: preservar e difundir a história potiguar.
    O livro é organizado pelos sócios Gustavo Sobral, Honório de Medeiros e André Felipe Pignataro; tem a contribuição de pesquisadores, professores, escritores, estudantes e historiadores convidados, muitos deles também sócios da instituição.
    A presidente do IHGRN, Joventina Simões, e o vice-presidente Pedro Simões, autor de 5 capítulos do livro, comentam sobre a obra em entrevista ao jornalista e escritor Gustavo Sobral, publicada em seu site. 
    A conversa pode ser lida no site de Gustavo Sobral, onde também pode ser feito o download gratuito da publicação. O livro também está disponível no site da Biblioteca Ocidente (https://revistagalo.com.br/selo-bo/). Quem desejar a versão impressa pode encontrá-la na loja UICLAP.

Texto: Gustavo Sobral e Marcela Bulhões
Imagem: Divulgação

quinta-feira, 1 de maio de 2025

A jornada criativa da artista Amanda Carreras Simões na capa da Revista do IHGRN #102

 
    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte lançou a 102ª edição da Revista do IHGRN em março deste ano. A publicação traz 18 temas de grande relevância para a história e cultura potiguar, dentre eles o Teatro Alberto Maranhão, a Coluna Capitolina, Olavo de Medeiros e a obra do artista Erasmo Xavier.
    A arte da capa da revista é de Amanda Carreras Simões Lima de Souza, odontóloga e artista plástica potiguar que utiliza desenho, pintura e escultura em seus processos. Em depoimento ao IHGRN, a autora conta um pouco de sua jornada criativa, desde a ideia inicial até a obra finalizada.
    “A ilustração que compõe a capa desta edição da revista do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte (IHGRN) nasceu do desejo coletivo de homenagear, por meio da arte, as personalidades e os marcos que são relatados no texto.
    Os editores me passaram a ideia inicial e, com ela em mente, busquei representar visualmente o espírito do Instituto e trabalhar uma conexão com o presente utilizando as cores. 
    As cores quentes — como o vermelho, o laranja e o amarelo — evocam sentimentos como energia, coragem e a paixão de todos que fizeram e fazem parte da construção do nosso legado. Já os tons mais frios equilibram a composição. 
    As personalidades mais ao fundo, também em tons mais frios, foram pensadas para dar um caráter mais austero, ao mesmo tempo que fazem um contraste com a figura colorida e mais próxima de Olavo de Medeiros, buscando uma reflexão de quem a visualiza: manter a austeridade e a sobriedade de grandes personalidades aproxima ou distancia?
    Essa reflexão me veio após receber as fotos das personalidades dos editores, sendo apenas a de Olavo colorida. Nos dias atuais ainda estão pesquisando e publicando novas coisas sobre todos eles, então eles ainda estão vivos e muito bem lembrados, não distantes e esquecidos.
    A contracapa foi onde tive mais trabalho, pois a imagem da sra. Aline (Aline Wilhelmine Imberbe Imhof) é, na verdade, resultado da combinação de diversos elementos.
    Minha intenção foi transformar a capa em mais do que um reflexo dos temas abordados nas páginas da Revista do IHGRN, espero ter conseguido.”

Texto: Marcela Bulhões
Imagens: Ozeas Queiroz/Acervo pessoal

quarta-feira, 4 de dezembro de 2024

Comissão de Estudos sobre documentos de Oswaldo Lamartine - Entrevista com Gustavo Sobral

 

IHGRN: A paixão de Oswaldo Lamartine pelo sertão e sua obra são um legado indelével na literatura local e nacional sobre o tema. De onde surgiu a ideia da criação dessa comissão?

Gustavo Sobral: A documentação de Oswaldo Lamartine, infelizmente, anda dispersa e em arquivos particulares inacessíveis. Recentemente, publiquei um trabalho sobre a obra de Oswaldo Lamartine, um dicionário, e chegou até mim, pela generosidade de Murilo Paiva, uma pasta de Lamartine com documentos. O certo e o correto é que esta documentação, como é em todo mundo e até em outros estados brasileiros, fique sob a guarda de uma instituição e acessível. Esta é a razão desta comissão pioneira e deste gesto inédito. Não guardar para mim ou fazer um uso pessoal de um documento que é parte da cultura do Rio Grande do Norte e do Brasil.


IHGRN: Como estudioso da obra de Lamartine, que importância você considera ter a criação de uma comissão de estudos sobre documentos outrora pertencentes a ele?

Gustavo Sobral: O Instituto é a instituição cultural mais antiga em atividade no Rio Grande do Norte. E é a mais plural, pois não se limita à história e à geografia e tem sócios das mais diversas formações. O que acusam ser a sua fraqueza é, portanto, a sua fortaleza. Foi sempre multidisciplinar e transdisciplinar. Enquanto as universidades ainda praticam a ciência como no século XX, o instituto já vai além, envolve outros saberes, que não só o científico, e faz e sempre fez como no ensaio, o exercício livre da pesquisa uma de suas formas de expressão. Ter esta documentação em uma instituição que tem esta proposta de ação no seu bojo é ter estes documentos no lugar certo.


IHGRN: Que documentos do escritor serão seu objeto de estudo?

Gustavo Sobral: A sua pergunta nos permite pela primeira vez tornar público o que até então era de conhecimento apenas da comissão: os valiosos documentos que estão na pasta. Direi em primeira mão que fiz uma análise e escrevi uma apreciação sobre rascunhos até então inéditos de Oswaldo Lamartine para a escritora Rachel de Queiroz. Lamartine foi consultor da romancista quando ela escrevia o Memorial de Maria Moura. É uma beleza. Anotações do próprio punho e desenhos dele explicando um tanto de coisa do sertão. Uma relíquia!


IHGRN: Fale um pouco sobre as anotações de Lamartine para Rachel de Queiroz. Em que contexto foram feitas?

Gustavo Sobral: A caligrafia perfeita, tudo numerado, anotado, descrito, Oswaldo Lamartine era muito organizado e tece toda uma série de apontamentos sobre as coisas mais diversas do sertão antigo para Rachel de Queiroz situar o romance. No Dicionário Oswaldo Lamartine que acabei de publicar e que está também disponível para aquisição na sede do Instituto, reproduzo uma explicação de Rachel de Queiroz sobre como tudo começou.


IHGRN: Como a descoberta e análise desses documentos podem ajudar pesquisadores e acadêmicos em suas pesquisas?

Gustavo Sobral: Aprendi no Instituto e está lá desde o seu primeiro estatuto que é tarefa da instituição arquivar, manter, organizar e disponibilizar documentos históricos e culturais do Rio Grande do Norte. Ao publicar estes trabalhos de Oswaldo Lamartine e sobre ele, acredito que estamos apresentando-os aos interessados e inspirando aqueles que guardam documentos alheios importantes, sobretudo intelectuais, escritores e pesquisadores, que cheguem a instituições como Instituto para que tenham o mesmo propósito e finalidade.

quarta-feira, 29 de maio de 2024

Professor Francisco Costa concede entrevista ao IHGRN

 
IHGRN: O senhor é sócio do IHGRN desde quando?

Francisco Costa: Desde 2018.
 
IHGRN: O senhor é sócio de outras instituições também, certo? A exemplo da Academia Assuense de Letras.

Francisco Costa: Isso, eu sou um dos sócios fundadores da Academia Assuense de Letras. Fundamos em 2015 e fomos sete pessoas, poetas, artistas, músicos, pesquisadores e fundamos a Academia Assuense de Letras. Hoje já vai com seus 11 anos de atividade. E a partir da AAL, quando eu estava na presidência, fui convidado para integrar os quadros do Instituto Histórico. Isso me dá muita honra. 

IHGRN: O que significa pro senhor ser sócio de uma instituição como o IHGRN?

Francisco Costa: Ser sócio do Instituto representa, primeiro, a responsabilidade com a preservação da história do nosso estado, com a preservação da memória desse estado. Costuma-se dizer que o brasileiro tem memória curta, né? E é necessário que abnegadas pessoas com o mesmo desejo de estar assegurando que as futuras gerações possam ter conhecimento do que foi o passado, porque não existe uma sociedade sem que conheça de sua origem, sem que conheça de onde ela veio e quais caminhos percorreu. Então ser membro, ser sócio do Instituto Histórico Rio Grande do Norte pra mim, antes de uma honra, é uma grande responsabilidade. E obviamente a honra de fazer parte, de integrar esta casa centenária que ao longo de sua história tem tido esse cuidado e esse zelo com a história do do meu estado, com a história da minha terra, com a história do meu povo, com os elementos que constituem esse povo, então ser sócio do Instituto Histórico é uma honra, mas também uma grande responsabilidade e isso me faz muito feliz. Me traz muito prazer; prova prática disso é esse lançamento (do livro) acontecer aqui.

IHGRN: É também a história da sua terra, que é a história do RN, certo?

Francisco Costa: Exato, é verdade. Foi uma das minhas preocupações, que pudesse fazer um momento desse lançamento no Instituto Histórico; pra mim é tão valoroso. Então não é uma questão de espaço, é uma questão de identidade, né? De trazer para a instituição esse elemento cultural que é a poesia. A poesia da minha terra, cidade do Assu, da minha origem e é ter no meu currículo um lançamento realizado no Instituto Histórico, não que me faça melhor, mas com certeza de alguma forma sim me faz melhor, porque me faz ter a consciência plena da importância que essa instituição tem e quanto isso agrega ao meu próprio conhecimento, o quanto isso agrega, à própria história da minha cidade, o quanto isso agrega à história do estado do Rio Grande do Norte.

IHGRN: E esse lançamento aqui pega numa coisa que falamos no Instituto, que é o processo de interiorização, de trazer mais pra perto as cidades que não são tão próximas de Natal, para não ficarmos limitados à capital.

Francisco Costa: Exato. A gente vai perceber o seguinte o quanto ao longo da história essa divisão geográfica sempre foi um impedimento para esse entrelaçamento entre os dois povos. E aí essa preocupação que o Instituto Histórico tem de trazer para o seu seio e chamar essa responsabilidade de ser esse elemento agregador da história do estado. Isso é muito interessante. Então dentro das suas prerrogativas o Instituto assume esse papel de agregar historicamente todo o estado reduzindo distâncias. Eu diria até eliminando qualquer tipo de barreira. Porque ao momento em que eu trago por exemplo elementos históricos de pessoas, de acontecimentos da cidade do Assu. Para o Instituto Histórico, na verdade eu estou levando o assunto para todo o estado. E o elo é norteador, o elo que de ligação entre esses esses municípios de 177 municípios é exatamente o Instituto Histórico. É muito importante mostrar para os meus netos, os netos dos meus netos o que era a minha terra, o que é a minha terra e o que poderá ser a partir do conhecimento da sua própria história. Então, nesse nível, como trago assim, elementos a uma pessoa que eu gostaria de destacar que eu acho que é muito relevante pra história do que apesar de não segurar nos livros, não figurar no Atlas, nos compêndios da história assuense. Rock é uma figura típica do assuense. Negro, pobre, cego total, mas pessoa que conhecia cada espaço da cidade do Assu, cada elemento que compõe o espaço geográfico do Assu e era uma pessoa que tinha uma capacidade de olhar pra nenhum relógio, ele dizia exatamente em que horário estava. Ele era incrível, Rock desencarnou, faleceu há algum tempo, mas a sua verve e a sua história de negro que foi capaz de vencer todo o preconceito de vencer toda a o estigma do negro no Brasil, na região nordeste, na cidade do Assu. Olha que o negro assuense nos anos 40, 50, 60, 70 e acho que até 80, mais ou menos, era uma figura muito estigmatizada. Então Rock foi capaz de vencer tudo isso e, ao vencer, dar exemplo para as futuras gerações.

IHGRN: E sua atuação também envolve a área de linguagem, né?

Francisco Costa: É, a minha formação inicial acadêmica é em Letras. O mestrado também em letras e o doutorado em educação também, mas também envolvendo a questão linguística. Trabalho muito com essa perspectiva de resgate de línguas é um trabalho que a gente apresentou recentemente no Instituto Histórico foi a questão do iorubá, língua presente na comunidade quilombola do Piató. Apresentar esse trabalho é apresentar uma pesquisa que ainda está em desenvolvimento, porque assim, há outros elementos que a gente precisa, outras vertentes que ainda precisam ser descobertas e eu gosto muito dessa coisa do resgate da linguagem dos povos originários, o resgate da linguagem do entorno da cidade do Assu, especificamente. As variações linguísticas que ocorrem ao longo do tempo e ao longo da história do povo do Assu. Desde o da língua portuguesa arcaica, a língua hoje com o incremento do “interneteiro” dentro da da própria linguagem tem algumas aberrações, a gente sabe que isso é uma realidade, mas é necessário compreender esses fenômenos linguísticos e essa é uma das preocupações que a gente tem também com a nossa atuação, é de buscar e de resgatar isso. E resgatar principalmente a questão poética. A poética do como é que essa poesia se implanta, como é que ela se forma pra dizer que o Assu é a terra da poesia, é Athenas norte-rio-grandense. Então na nossa atuação cultural, poética e também tem essa preocupação de resgatar esses elementos trazendo a poesia desde as dos mais longínquos tempos passando por grandes nomes da poesia, no Açu crescida como Renato Caldas, como Chico Traíra, como é Moisés como sinhazinha Wanderley, Palmeira Wanderley, Luiz Carlos e tantos e tantos outros nomes inclusive dos atuais, né? Que aí eu destaco o Ivan Pinheiro, Francisco de Assis Medeiros, Núbia Frutuoso, Isabel, uma grandíssima poetisa que é a outra autora que está lançando hoje, que também é da também é da academia de letras. Na nossa atuação, a gente busca realmente trazer essa perspectiva da história da linguagem e do resgate para que a seja uma peça de ser a terra. A gente tem a preocupação de dizer não, assumem a terra do jateiro, teve mas tem e semeia para que no futuro também o tenha. Inclusive esse é um dos grandes papeis da Academia Assuense de Letras que é o da questão cultural, esse amor à terra através da poesia, através da cultura, através da literatura, através das artes, da música, do teatro, de todas as expressões artísticas para que as futuras gerações possam dizer.

IHGRN: A gente fez uma entrevista com o Ciro Pedroza e ele disse como é importante ele participar  da próxima edição do programa Memória Viva. Ele estava comentando como é importante exaltar também a importância de quem está vivo, não esperar a pessoa morrer para dar devido valor àquilo, né? 

Francisco Costa: Verdade. Não lembro se é Pixinguinha ou quem tem uma uma música que diz que “quando eu morrer não quero choro nem vela”. Né? E aí não, depois que eu morrer as homenagens já foram, né? Não que eu busque homenagens hoje. Mas, que haja esse reconhecimento de quem tá vivo. E é muito interessante como a área da linguagem não consegue ser pesquisada se não tiver a parte histórica também, né? Sim, é verdade. De de ir mapeando as alterações que ela tem, o que tanto influencia naquilo. A história ela jamais está dissociada da linguagem, porque a linguagem é dinâmica, ela o tempo inteiro ela está em processo de autotransformação de  burilamento, de autoconstrução continuamente e essa linha vai estar passando por processos e tudo isso ela se configura num fato histórico. Então quando você pega, por exemplo, vamos pensar na linguagem que era falada lá nos anos de 1800. Como é que ela era escrita? O que mudou ao longo do percurso histórico, né? E qual que elementos foram importantes para essa mudança dessa própria linguagem? Então a linguagem está associada, ela está intimamente, está imbricada com a história no dissociamento, qualquer tentativa de dissociar linguagem e história seria uma aberração com a própria realidade.

quarta-feira, 13 de março de 2024

Sócio do IHGRN concede entrevista hoje (13) no programa Isso é História

 
    O professor de história Luciano Capistrano, sócio efetivo do IHGRN, participa hoje (13) como convidado do programa online Isso é História. O título da entrevista será “Patrimônio material e imaterial na lente de um historiador andarilho”, que remete a duas áreas de estudo e interesse do professor Luciano: patrimônio histórico e fotografia.
    Apresentado por João Maria Fraga, o programa será exibido no canal do YouTube do StartTV Live às 20h (link abaixo). João Maria é advogado e professor da rede pública e privada de ensino.
    O objetivo do programa de entrevistas é convidar pesquisadores para debater temas da história mundial,  brasileira e potiguar. É sempre transmitido na quarta-feira, das 20h às 21h.

Serviço
Entrevista “Patrimônio material e imaterial na lente de um historiador andarilho”
Veículo: YouTube - canal StartTV Live
Data: 13 de março de 2024
Horário: 20h

Texto: Marcela Bulhões
Imagem: Divulgação

sexta-feira, 6 de outubro de 2023

Professor e historiador Luciano Capistrano concede entrevista ao IHGRN

 
IHGRN: O que significa, para o senhor, ser sócio de uma instituição como o Instituto Histórico e Geográfico? 
Luciano Capistrano: Eu sou historiador, essa é minha profissão, é a profissão que me abraçou. Então ser sócio de uma instituição mais que centenária, uma instituição que tem entre outros objetivos, eu diria que o objetivo principal é a questão da memória e a questão da história. É sempre uma alegria e pra mim foi uma grande surpresa quando fui convidado para fazer parte como sócio efetivo dessa instituição, porque é o reconhecimento desse meu trabalho.

IHGRN: Em que você acredita que pode agregar pro Instituto com seus projetos de aulas e caminhadas no Centro Histórico de Natal?
Luciano Capistrano: Esse trabalho que eu que eu desenvolvo nas ruas e nas redes sociais é no sentido de popularizar a ciência histórica, faço um trabalho que imagino que seja de popularização. É o que eu gosto de dizer, a educação patrimonial saindo da esfera do espaço convencional, que seria o espaço dos centros de ensino, mas indo para as ruas. E é nesse sentido que eu acho que a gente consegue dialogar com a população,com a comunidade, com a comunidade em diversas camadas. Ao fazer história nas ruas, nós não estamos fazendo ensino de história para uma camada especializada em história, mas nós estamos fazendo história para as camadas mais diversas da população. Então acho que nesse sentido, popularizando com fundamentos na ciência histórica, popularizando o ensino da história, nós temos contribuído para o fortalecimento da história enquanto ciência e da história, um lugar de saber sobre as memórias e sobre a formação da da sociedade, da cidade, do estado e da identidade das pessoas.

IHGRN: O senhor acredita que existe uma deficiência no ensino desse valor do patrimônio histórico? 
Luciano Capistrano: Eu diria que ao longo do tempo nós temos conseguido avançar muito. É na formação da identidade e na formação a partir do ensino de história. Mas, uma questão que eu acho que é importante pensarmos, a história enquanto ensino de história local. Ao longo do tempo nós tivemos uma história que foi contada para todos nós como uma história única. Então é aquela história, o Brasil passa por ciclos, você tem o da cana-de-açúcar, o ouro, o café e etc. A partir disso, você tem os grandes centros como se esses grandes centros eles dissessem a história de todo o país, é como se a história local, ela não fizesse parte desse processo. Então acho que é nesse sentido também que eu penso essa história local e eu penso a educação patrimonial nessa perspectiva. Então ao olhar uma praça, ao olhar um um rio, ao olhar o nome que é dado a uma rua da cidade, ao olhar uma um conjunto habitacional, temos condições de falar sobre história, falar dentro desse processo de formação, que não é um processo de formação única. Então é nesse sentido que eu acho que a gente precisa cada vez mais ocupar esses espaços e trazer para a sala de aula ou para as ruas essa ideia de que a história não é um um caminho de mão única. E que a história não se faz apenas num grande centro econômico ou político de um país, de uma cidade, de um estado. A história está ali, pode estar no Palácio Felipe Camarão, mas ela também pode estar na feira de Nova Natal. É nesse sentido que eu acho que a gente traz essa contribuição, pensando no ensino histórico dessa maneira.

IHGRN: Fale um pouco de como surgiu a ideia de criar a página Natal Nostálgica. 
Luciano Capistrano: A página Natal Mostálgica foi uma das coisas da minha vida que são assim muito de encontro, encontros felizes. Eu já tinha uma uma página chamada “Gestor do Centro Histórico de Natal”, no Facebook. Eu administrava, e ao final de dois mil e dezenove, um amigo chamado Oliveira era o administrador da página “Natal Nostálgica” e por vários motivos de tempo na vida pessoal, me convidou e disse: “você tem o perfil e a cara da página”. É uma página que eu já acompanhava e já contribuía na página. 
A página tem como objetivo  ocupar o espaço das mídias sociais e porque eu já fazia um trabalho nas ruas. Há muito tempo eu faço que hoje eu chamo de “aulas de história nas ruas”, muito tempo eu ocupo as ruas da cidade e quando eu falo ocupar a rua das cidades, não é só o roteiro mais tradicional que é cidade alta ribeira, mas desde do alecrim, passando por cidade nova. Então a gente já faz esse trabalho há bastante tempo, falando sobre a história da cidade, e com essa chegada de forma mais efetiva nas redes sociais, eu comecei a pensar um projeto de forma mais definida. Com um diálogo com a professora do Departamento de História, surgiu a ideia de organizar isso que eu já fazia a partir de um projeto “Das ruas às redes”, o nome já indica, é o trabalho que faço nas ruas e nas redes sociais. É aquilo que alguns historiadores chamam de “história pública”, isso que eu tento fazer.

IHGRN: Como sua paixão pela fotografia se relaciona com suas outras habilidades?
Luciano Capistrano: A fotografia nos ensina a ver o mundo, a sensibilidade. A fotografia chega na minha vida no momento difícil que eu estava passando, não tenho nenhum problema em dizer isso, era um momento de dificuldade, eu estava depressivo e a fotografia chega. A minha esposa tinha ganhado de presente do meu sogro uma máquina fotográfica e ela me entrega e pede para eu sair de casa para fotografar e ver o mundo. Quando eu ando e começo a fazer os cliques, começo a fotografar, eu começo a trazer para fotografia essa minha formação de historiador e de professor. Acho que isso ajudou muito a contribuir com esse diálogo entre a história e a fotografia, me ajuda a ver melhor a cidade e ver o poder dentro dessa localidade, como é que essa cidade ela forma identidades e tenta compreender a formação dos conflitos que existe na formação da identidade do natalense. A fotografia é uma paixão hoje eu não me vejo sem fotografia, não me vejo saindo sem fazer uns cliques, seja de ônibus ou seja a pé, mas é um olhar diferente da cidade, seja na feira de Nova Natal ou seja o Forte do Reis Magos. É muito bom pensar que nessa situação há um interesse nas pessoas, percebemos isso nas redes sociais há uma sede por imagens. Isso é uma coisa da nossa cultura, quando tem um texto, tem fotografia, isso contribui para esse diálogo que nós queremos fazer com a população com quem está lá acessando as redes sociais. 

IHGRN: O que lhe motivou a escrever o livro “1964: Para não esquecer”?
Luciano Capistrano: O livro “1964: Para não esquecer”, tem uma uma história que remete à minha história familiar e a um acontecimento de 2017. A minha história familiar é a seguinte: o meu pai em 1964 era funcionário dos Correios, papai era do Partido Comunista daqui de Natal. Em 1964, após o golpe civil-militar, ele é perseguido e demitido dos Correios. A partir daí ele começa a responder uma série de inquéritos militares aqui em Natal e em Recife. Então eu cresci nesse universo, vendo papai de vez em quando sumir, sem entender porque ele tinha sumido e observar mamãe preocupada com as nossas atitudes e principalmente com qualquer envolvimento que nós tivéssemos do ponto de vista político, porque ela tinha medo, já que papai havia sido perseguido pelas suas ações, sua militância. Esse tema faz parte da minha vida, eu acho que o historiador não tem como fugir da sua formação, a constituição enquanto pessoa. Esse foi o tema que eu trabalhei com o meu no final do curso de história da graduação, o golpe militar no Rio Grande do Norte, os norte-rio-grandenses mortos e desaparecidos políticos. O trabalho, inclusive, rendeu um livro editado pelo Sebo Vermelho em 2010. Então, em 2010, eu lancei um livro com esse mesmo tema. “1964: Para não esquecer”, é um livro recente que eu lancei 2023, ele nasceu de uma aula de rua, uma dessas aulas de história aqui próximo do IHGRN, na praça André de Albuquerque, o ano era 2017, eu estava com a turma de ensino médio, na praça que não tem como você não fazer uma referência ao prefeito Djalma Maranhão, por vários motivos. Um deles é porque na praça tinha uma galeria que foi construída em 1963, uma galeria de arte, então estava relatando esse fato quando um professor que acompanhava essa escola, diz que o prefeito Djalma Maranhão tinha uma casa na rua das Quintas, na época do golpe militar, em 64, essa casa das quintas era uma residência onde tinha um arsenal de armas de munição, chamaram de terrorista comunista. Isso é que nós chamamos de fake news, em 2017, estava aquela situação, eu tive que intervir na fala do professor e dizer para os alunos que estavam ali e para o professor que aquilo era uma mentira, o professor falava baseado sem documentos e fatos, foi quando ele disse que era um primo dele que tinha servido no exército em 64 que tinha um sargento que contava para ele essa história. Então eu vi a necessidade de trazer para as minhas aulas e para a população esse tema, até porque agora na história recente do Brasil tivemos o movimento da volta do golpe militar, o pessoal acampando em frente aos quartéis, era com os celulares ligados à noite pedindo que um extraterrestre chegasse e fizesse uma intervenção militar. Assim, há uma necessidade de trazer para o espaço público uma discussão que seja uma discussão fundamentada na ciência histórica. O livro nasceu com esse objetivo de contribuir com o debate qualificado. Em 64 foi um golpe civil militar, queimaram livros, prenderam pessoas, torturaram pessoas, não é à toa que o livro nasceu com esse objetivo, que é o que eu faço. Educação patrimonial, história da cidade de Natal, nas ruas popularizando a ciência histórica sem cair naquilo que eu diria que é a mentira, as fake news, a falácia, tudo baseado na ciência histórica. Então vamos fazer ciência histórica, mas vamos fazer ciência histórica, sem o ranço da linguagem acadêmica, mas vamos trazer essa ciência histórica para que o feirante de Nova Natal possa entender e o estudante de pós-graduação de qualquer curso possa consumir. 

IHGRN: Quais os desafios de ser um professor de história dos dias atuais?
Luciano Capistrano: O primeiro desafio atualmente é de você contribuir para uma uma só consciência histórica enfrentando, inclusive, ataques a nós professores de história e eu me incluo. Nos últimos seis, sete anos fomos muito atacados por falarmos sobre história, aquela ideia da Escola Sem Partido e tantos outros movimentos parecidos surgem e insurgem contra o professor de história, contra professor de sociologia, contra os professores de humanas. Então acho que o nosso grande desafio é isso, claro, tem outros desafios que a gente poderia colocar, o nosso desafio é encantar, digamos assim, encantar os nossos alunos a gostarem da nossa disciplina, gostarem da ciência histórica, encantar sem ser vulgar, sem ser, sem fugir dessa verdade histórica ou dessa ciência histórica. O desafio é esse numa sociedade que uma que consome informações de diversas maneiras, é por isso que é importante, por exemplo, o trabalho de ocupar os espaços das mídias sociais, porque você ocupa esses espaços ou outros atores vão ocupar esses espaços e alguns deles vão ocupar sem ter a base da ciência histórica, o que é prejudicial para a formação dos nossos jovens.

sexta-feira, 1 de setembro de 2023

IHGRN recebe visita do professor Luciano Capistrano

 
    Na manhã da última quinta-feira (31) o IHGRN recebeu a visita do professor, escritor e historiador Luciano Capistrano. Ele foi convidado e recebido pela presidente Joventina Simões, com o objetivo de conceder uma entrevista ao Instituto. Elaborada e conduzida por Marcela Bulhões e Percílio Simões, a entrevista será divulgada em breve no blog do IHGRN.

Texto: Marcela Bulhões
Foto: José Costa

quarta-feira, 26 de julho de 2023

Confira a entrevista de Ormuz Barbalho Simonetti ao Programa Ponto de Vista

 
    O vice-presidente do IHGRN, Ormuz Barbalho Simonetti, concedeu entrevista ao Programa Ponto de Vista, conduzida pelo jornalista Nelson Freire. Na conversa, o escritor fala sobre sua trajetória profissional, o Instituto Histórico e Geográfico e suas obras publicadas.
    A entrevista pode ser assistida na íntegra no canal de Nelson Freire no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=vPFa2BYnrm8

Texto: Marcela Bulhões
Imagem: Reprodução

quarta-feira, 19 de julho de 2023

Confira a entrevista de Nouraide Queiroz ao Programa Baobá Cultural

 
    A coordenadora de eventos do IHGRN, Nouraide Queiroz, concedeu entrevista ao Programa Baobá Cultural, conduzida por Diógenes da Cunha Lima, sócio do Instituto.
    Nouraide Queiroz é doutora em Estudos da Linguagem pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e especialista em Língua Portuguesa. Atua como assessora técnica de editoração e educação à distância do Ministério Público do Rio Grande do Norte (MP/RN) e desenvolve pesquisas na área de linguística de texto, enunciação e análise textual dos discursos.
    A entrevista pode ser assistida na íntegra no canal de Diógenes da Cunha Lima no YouTube: https://www.youtube.com/watch?v=mpBt-8w_Q4Y

Texto: Marcela Bulhões
Imagem: Reprodução

sábado, 15 de julho de 2023

Viajando o sertão, uma entrevista com Honório de Medeiros, André Felipe Pignataro e Gustavo Sobral

 
    Honório de Medeiros, André Felipe Pignataro e Gustavo Sobral embarcam nos próximos dias em uma aventura ao passado em uma viagem pelo presente. Juntos, em comitiva do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, vão ao sertão do Rio Grande do Norte, recuperar os passados da primeira comitiva oficial, a do presidente da província Leão Veloso, realizada em 1861. Outra só aconteceria nos anos 1930, com o interventor Mário Câmara e Câmara Cascudo. Agora, eles pretendem realizar a viagem do século XXI, em comitiva oficial do Instituto Histórico. Confira os principais trechos da entrevista com os viajantes.

Como surgiu a ideia de refazer esta viagem?
Gustavo Sobral: A ideia da viagem surgiu lendo. Ou melhor, relendo. Foi ao reler “Viajando o Sertão” de Cascudo, resultado de sua viagem na companhia do interventor Mário Câmara, que reparei em algo que tinha visto, mas que não tinha me dado conta. Manoel Rodrigues de Melo, na nota de apresentação, menciona a viagem de Leão Veloso. Então, deu-se aquele estalo, e corri para contar a André Felipe Pignataro e a Honório de Medeiros. Foi um passo para inventarmos de seguir os passos daquela comitiva.

E por que a invenção de refazer os passos dessa comitiva?
André Felipe Pignataro: Esse projeto nasceu em 2019, quando Gustavo Sobral compartilhou comigo e Honório de Medeiros as recordações de viagem que Othilio Francisco Alvares da Silva escreveu n’O Recreio. Não me lembro quem deu a ideia da viagem, mas ela surgiu numa reunião que fizemos, e todos nós, prontamente, concordamos que deveríamos refazer os passos da comitiva presidencial de 1861. Nosso objetivo era realizar o projeto em 2020, mas tivemos que adiá-lo por causa da pandemia de covid-19. Durante esse tempo, o assunto nunca deixou de ser discutido. Ou seja, é um sonho coletivo que, finalmente, iremos vivenciar.

Qual a importância, hoje, de uma viagem ao Sertão?
Honório de Medeiros: Na perspectiva da viagem de Leão Veloso, e na medida do possível, fazer uma comparação, mesmo que imaginária, entre o que foi descrito por Francisco Othílio Álvares, e o que encontramos.  

A comitiva
    Em 1861, a Comitiva do presidente da Província Leão Veloso saiu para uma viagem de 44 dias pelo sertão do Rio Grande do Norte. Foram e voltaram de navio e percorreram o sertão a cavalo. Agora, em 2023, Honório de Medeiros, André Felipe Pignataro e Gustavo Sobral pretendem refazer o itinerário em uma Comitiva do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte.

sábado, 17 de junho de 2023

IHGRN entrevista o jornalista Ciro Pedroza

 

IHGRN: O que significa, para você, ser sócio de uma instituição como o IHGRN?
Ciro Pedroza: Quando eu era menino, achava que para ser sócio do Instituto Histórico e Geográfico era só para quem já era uma figura vetusta, já possuía cabelos brancos, já não tinha cabelos, já tinha vivido, possuindo filhos e netos. Quando fui indicado pela professora Diva para ser sócio, eu disse: “eu virei velho, eu virei aqueles senhores que frequentavam o Instituto Histórico”, mas descobri que podia ser do Instituto sem ter uma idade avançada, já que a história hoje está viva. Acho que essa abertura que o Instituto tem feito para sócios jovens, comparado com os tradicionais, acho que é um avanço muito grande, um mérito que o Instituto tem de abrir-se até para contar história dos tempos próximos, porque a gente tá sempre ocupado para contar sobre o tempo passado; há um vazio dos anos 1970 para cá que a gente não conta a história, porque a gente achou que era só viver. E que vai e precisa ser contada pelos jovens pesquisadores. Então acho que essa abertura do Instituto reflete nessa mudança de paradigma, não que a história antiga não seja importante, mas a história contemporânea também é importante para que possamos entender o que está acontecendo, porque vivemos em um tempo de muita velocidade, as coisas têm mudado de forma muito rápida e o que está acontecendo é consequência do passado. Ser sócio de uma instituição de uma importância que ela tem para a cultura do Rio Grande do Norte, quando disse lá em casa que iria ser, o povo nem acreditou.

IHGRN: O que você considera importante e representativo numa obra como o Memória Viva, tanto os livros quanto o programa?
Ciro Pedroza: Eu sou um jornalista que foi formado assistindo televisão, a história da TV Universitária é a minha história, eu cresci assistindo a TVU. Eu era uma exceção no meu grupo de meninos, porque eu assistia toda TV, mas gostava muito da TVU, os meninos não assistiam a TV Universitária, porque eu sempre tive na minha cabeça que eu precisava de conhecimento. Na TVU tinha aulas, eu assistia essas aulas, que eram diferentes, eram aulas lúdicas. Você já imaginou o que é, há 50 anos, você fazer aula em vídeo? Era o que se fazia, em 1972, quando a TV Universitária foi feita, com interatividade, personagens, contando histórias. Como que você ensina teoria dos conjuntos? Eu aprendi na TVU, por causa do que mostrava, que é difícil você fazer isso em sala de aula, já que essa matéria é abstrata, algo que só a TV pode mostrar. Estar nesse momento na TV universitária fazendo esse programa também é um sonho da minha vida, o segundo que realizo na TVU, o primeiro foi ser repórter esportivo da equipe de José Ary, o narrador mais importante da televisão potiguar. O outro sonho era ser apresentador do programa Memória Viva, porque eu adorava aquelas histórias daquele povo explicando. Quando pequeno, às vezes queria fazer uma pergunta para aquilo. Chega uma hora que eu não poderia ser repórter jovem do Memória Viva, eu só posso ser agora, chega um momento de maturidade da minha vida, da minha carreira, em que tudo se encontra, até esse convite de apresentar o Memória Viva que é um programa que não é só da memória individual, mas sim da memória coletiva, porque os personagens que são entrevistados, viveram um tempo e é esse tempo que precisamos compreender. Não apenas a história pessoal dele, mas também as circunstâncias que ele viveu. Hoje estamos vivendo o presente contínuo e o futuro incerto, porque o futuro já chegou, antes dizíamos “No ano 2000 vai acontecer isso”. Agora não temos mais ano 3000, ano 2030. Temos modo perpétuo do tempo presente, não temos mais futuro, o futuro chegou. “Ah, mas não estamos vivendo o tempo dos Jetson que sai voando”, mas apontamos um botão e sai gelo da geladeira, assa uma comida, tem coisas que nem sei explicar, como o microondas esquenta uma comida, mas existe.

IHGRN: Quais são suas expectativas como novo apresentador do programa Memória Viva?
Ciro Pedroza: Que eu possa ajudar as pessoas a compreenderem esse tempo presente, porque tem muita gente que está nessa faixa das 6/7 décadas que fez essa história recente e que ninguém sabe que elas existem. Pessoas que você passa por elas nas ruas e você não sabe quem é. Então, tenho percebido a pressa com que a memória tem se diluído, e tem personagens de 10, 5, 7 anos que fizeram coisas importantíssimas e que nem sabemos. Com base nisso, conversei com o pessoal da TV e propus dois caminhos: que se a gente tivesse oportunidade, contaremos histórias antigas de personagens importantes, que fizeram coisas muito importantes, já que as coisas importantes que temos hoje foram feitas nos últimos 30/40 anos. A outra era de trabalhar em uma lógica que não fosse uma “eustória”, que fosse uma história de um tempo, conseguimos a partir do personagem, compreender o tempo, o momento histórico, como era a cidade, a cultura, o que acontecia. O nosso maior desafio nessa nova temporada do Memória Viva é trabalhar com gente que consiga nos levar para 30/40 anos daqui, pra gente compreender e encontrar personagens que foram importantes em noticiários e na vida. Muitas vezes você nem sabe quem são, nem a pessoa da família sabe, às vezes nem eles mesmos lembram que fez aquilo. Então meu desafio lá é flagrar esses nossos heróis - que nem sabem que são heróis - que possuem histórias da memória recente para colocar um pouco das coisas em seu devido lugar. Entender o que a gente tem hoje foi obra do que aconteceu. Se hoje a gente tem muitos avanços tecnológicos de costumes e cultura, é porque alguém lá atrás ousou escrever um caminho novo. Outro recurso também é usar a tecnologia, porque hoje está difícil tirar alguém de 70/80 anos de casa. Avalie tirar 3, que era o formato do programa. Você colocar hoje um convidado e dois indicados por ele, amigos de infância, você vai juntar pelo menos 350 anos dentro de um estúdio. Quando a gente vai fazer um projeto novo, temos que olhar a memória inteira do outro, para não propor a invenção da roda. Alguém já inventou a roda, e fez daquele material porque havia um terreno próprio para ele. Temos que ver o terreno atual para fazer as modificações, mas não vamos inventar a roda de novo. Muitas vezes, na conversa, o entrevistado ia numa linha que iria fazer uma revelação que vai mudar a história, mas acaba se perdendo em assuntos não tão importantes, aí quando vai voltar, já se desarmou, armou de novo e não vai mais contar. Esse programa novo vai ser muito mais de intimidade e não perder de vista o entretenimento, porque a televisão é entretenimento. É história, mas é história sobre a ótica do entretenimento. E por último, é que não daremos prioridade para quem é chapa branca, ou seja historicamente o programa deu prioridade às autoridades, a gente vai dar prioridade ao povo. Então são esses personagens que a nova fase do programa vai buscar, esse é o desafio. E olhe que quando eu cismo, eu cismo.   

IHGRN: Em meio a tantos projetos, o senhor tem algum que envolva o Instituto Histórico?
Ciro Pedroza: Eu passei minha vida inteira olhando para frente, porque eu achava que eu sempre tinha que sobreviver, ter que sustentar minha família com minha escolha profissional, que é uma profissão que não dá dinheiro, que é jornalismo, comunicação. Então sempre estive dedicado aos projetos da frente. Eu parava e olhava para trás e pensava que já tinha feito tanta coisa, mas voltava e continuava a produzir. Em relação ao Instituto Histórico, eu tenho nos próximos meses a intenção de contribuir para tirar dos meus arquivos um projeto de pesquisa histórica recente, de gente que anda até por aqui. Eu quero cada vez mais contar histórias e fazer trabalho de fôlego. Porque o jornalismo é muito imediatista, um jornalista usando uma metáfora é muito pastel com caldo de cana. E eu quero fazer coisas que demorem mais tempo, então meu projeto de vida é se dedicar a coisas mais refletidas, mais decantadas. Por isso chegar ao Instituto nesse momento, é importante para minha vida, porque estou começando a viver um momento de serenidade, isso não quer dizer que irei deixar de ser agitado. Mas acho que o Instituto Histórico, nesse momento, também está se abrindo para contar histórias mais recentes.

IHGRN: Como surgiu a ideia de reeditar livros que fizeram sucesso?
Ciro Pedroza: Eu passei minha vida inteira apaixonado por livros, embora no jornalismo nunca tenha trabalhado com jornalismo impresso. Eu sempre trabalhei com jornalismo eletrônico, com rádio ou com jornal. Eu participei de um movimento chamado “geração mimeógrafo", sempre trabalhei com a ideia de editar, me interessou o processo gráfico como era. Acho que é um pouco do DNA do meu avô, eu não conheci, mas ele e seu irmão eram gráficos e a família do tio do meu pai trabalha com gráficas até hoje. Eles imprimiram em 1935 o jornal “A Liberdade”, eu só vim descobrir depois, porque essa é uma história secreta em minha casa, ninguém falava porque a política e o comunismo levaram o meu avô, na lógica das pessoas da minha casa. Essa é uma história que eu também estou trabalhando para contar, na condição de vítima indireta. A ideia de editar livros é o seguinte, eu já tinha trabalhado em editar livros com o pessoal da geração mimeógrafo, agora descubro que temos tecnologia suficientes para fazermos coisas bonitas e legais. A minha ideia não é só reeditar livros, a minha experiência com o livros da história das Rocas, eu tinha uma dívida com aquele lugar que me ensinou a ser o que eu sou hoje. Eu escrevi o livro chamado “Uma história das Rocas”, a primeira edição durou exatas duas semanas. Dois meses depois, fiz uma revisão e publicamos a segunda edição de 500 livros. Primeiro, eu não sabia que as pessoas tinham tanto interesse com essa história. Segundo, as pessoas de lá tinham interesse, e a multidão de gente que passou por lá e as pessoas nem sabem que possuem relação com o bairro. E histórias novas que foram surgindo entre a primeira e segunda edição do livro.

IHGRN: A coluna “Cena urbana” do jornalista Vicente Serejo refere ao lançamento de duas grandes obras já prontas para serem lançadas, uma de Veríssimo de Melo e outra de Inácio Magalhães. Qual foi o critério utilizado para a escolha?
Ciro Pedroza: Essa história de Zé Areia é um personagem que as Rocas não conhecem, então a reedição deste livro segue a mesma orientação de “Uma história das Rocas”, é para cidade dizer “esse cara é das Rocas”. Esse personagem pouca gente conhece, apenas ouve falar dele. Mas, era um cara que tinha elegância e não agredia as pessoas. Essa é uma característica das Rocas, a pessoa ouve, mas fica calado. O outro personagem, Inácio, é uma história que foi editada, na época, pela Nossa Editora. É tão rica de imagens, de histórias e de delírio. Eu não entendo de santo, mas aquela história que ele conta dos padroeiros que vão no trem, que chega um momento que a pessoa fala: “Nossa Senhora, venha no carruagem de fogo de Elias, porque a senhora não vai aguentar essa viagem de trem”, essa história é muito rica. Mistura literatura, artista de cinema, personagem de livro e pessoas da vida real para uma sagração que nunca existiu. Reeditar obras importantes como essas não é nem questão econômica, porque livro é prejuízo. É prazer emocional, é ver aquele material chegar nas mãos de pessoas que já ouviram falar, que na época a tiragem era pequena, que na época o sujeito não era vivo, quando pequeno viu na casa do pai e de repente o livro sumiu.

sábado, 3 de junho de 2023

IHGRN recebe visita do jornalista e escritor Ciro Pedroza

 
    Na manhã da última quarta-feira (01) o IHGRN recebeu a visita do professor, escritor e publicitário Ciro Pedroza. Ele foi convidado e recebido pela presidente Joventina Simões, com o objetivo de conceder uma entrevista ao Instituto. Elaborada e conduzida por Marcela Bulhões e Percílio Simões, a entrevista será divulgada em breve no blog do IHGRN.

Texto: Marcela Bulhões
Fotos: José Costa

sábado, 20 de maio de 2023

IHGRN entrevista o professor Marcos Guerra

 
IHGRN: O senhor foi um dos principais integrantes da equipe de Paulo Freire na experiência de Angicos. Participou também da aplicação em outros países. Quais países foram esses?

Marcos Guerra: O que eu fui fazer em outros países foi outra coisa. Fui para outros países pelo IFED, Instituto de Planejamento e Desenvolvimento. Morei 6 anos em Níger e Costa do Marfim, mas em cima do planejamento para o desenvolvimento para área de especialização que o mundo me ofereceu. Depois em cinco ou seis outros países, em uma área que vem originalmente do meu trabalho profissional que é participação popular para o desenvolvimento que, em geral, acham que o desenvolvimento é feito pelos governos, mas não é bem assim. A minha atividade com a alfabetização se limitou ao Rio Grande do Norte, onde fui convidado no governo de Aluízio Alves para dirigir o departamento de Educação de Jovens e Adultos. A primeira tarefa que nós tivemos foi de conceber e aplicar a primeira experiência em massa do método de Paulo Freire, antes só tinha feito pequenas experiências localizadas para rodar o método e a gente fez a primeira experiência em laboratório em condições reais com 300 alunos na cidade de Angicos, em 1963. 

IHGRN: O que significou para o senhor ter participado como coordenador na experiência de Angicos? Tanto academicamente, como estudante de Direito, e pessoalmente.

Marcos Guerra: No começo dos anos 60, os estudantes universitários eram muito estimulados, principalmente pela UNIRN e pelos movimentos que congregavam os estudantes, para devolver à população aquilo que tínhamos recebido como privilégio; éramos 100 mil estudantes universitários no país, com ensino de qualidade e gratuito. A gente levou vários programas como forma de devolver a população aquele privilégio, assim nasceu o CRUTAC, onde engenheiros, médicos, odontólogos iam às comunidades oferecer serviços ou verificar o que poderia melhorar. O programa de alfabetização foi nessa leva, estimulado pela UNIRN. Eram estudantes universitários que faziam “De pé no chão também se aprender a ler”, começada em 1961. O nosso chegou com o Governo de Aluízio Alves, em 1962, mas a primeira atividade de massa foi em 1963. O governador decidiu que deveria começar na cidade dele para dar o exemplo, também porque sabia que se houvesse repercussões como houve, repercussões complicadas para o curral eleitoral da época. Em Angicos havia 700 eleitores, na época só votava quem era alfabetizado. Dentro das 40 horas de aula, se inscreveram 300 novos eleitores, jogando fora o equilíbrio do curral eleitoral. Depois modificaram, o analfabeto começou a votar. A principal repercussão foi que o pessoal votava, não resolve tudo, pois se você vota sem ter candidato diferenciado, vai votar sempre no mesmo. Não era o objetivo do Aluizio e nem nosso formar eleitores, o objetivo era formar cidadãos. Existe um documentário de longa duração que mostra alguns ex alunos dizendo o que aprenderam em Angicos. Essa atividade de Angicos foi um divisor de águas sobre a alfabetização, desde então tornou-se referência, antes eram cartilhas do MEC que na maioria dos casos ainda se utilizam. A primeira lição “Ada da aldeia do urubu”, “Eva viu a uva”, ou seja, fonemas bem simples, imagina no Nordeste essas palavras geradoras. A primeira resultava rapidamente em risada, já que era bem complexo. Paulo Freire dizia que não se deve fazer alfabetização com cartilha, pois deveria ocorrer com palavras do cotidiano das pessoas, o tema gerador e palavra geradora tem que se reconhecer com as pessoas. O que nós fizemos em Angicos, na época, Paulo Freire chamou de conscientização, ou seja, modificar a consciência da minha relação com o mundo. Começamos por entender através de uma análise durante as 2 primeiras noites do conceito antropológico de cultura qual é o papel do homem no mundo, para que cada um se reconheça como contribuinte para modificar o mundo e não como uma peça mandada. A diferença do conceito antropológico de cultura é que o homem se veja como o centro do mundo, mas não como um marginal, assim como era visto na época, que mais tarde o Paulo Freire denominou de pedagogia do oprimido, quando ele estudou essa questão, observou que havia uma cultura do silêncio, os analfabetos aprenderam falar “amém”, “sim, senhor” seja pelo patrão ou ação das igrejas, mas nenhum dizia o que pensava ou o que queria, era desde a colonização tinham aprendido a abaixar a cabeça e obedecer. Durante as duas primeiras noites nós discutimos o conceito antropológico de cultura, a pessoa entra com o comportamento de um homem da cultura do oprimido, e na terceira noite, ele já entrava com outra visão de mundo. No cabo de duas noites, um sapateiro analfabeto já entendia o valor de seu trabalho, como contribui para o bem estar do mundo. Quem reconhece a importância do valor do trabalho passa a atribuir outro valor às pessoas pelas quais possuem relação. O objetivo principal que nós tínhamos não era a alfabetização, isso era apenas um instrumento, o valor principal de que se pretendia era a tomada de consciência do mundo e a sua relação. O homem veio ao mundo para aperfeiçoar, contribuindo em busca de algum ganho, remuneração, conforto, melhor convivência com os similares e entre outros. Esse é o conceito antropológico de cultura que para a gente era o mais importante. Apresentando rapidamente, os debates em seguida, eram durante 40 horas, uma hora por noite, é muito rápido. Ocorria a partir de palavras geradoras que tinham sido identificadas em uma pesquisa, a primeira palavra em Angicos foi “belota”, mas em outros municípios foram utilizadas outras. O conjunto das palavras geradoras traziam o conjunto de fonemas da  língua portuguesa, depois de se trabalhar todos os fonemas, partia para a leitura. Meu pai pediu para conversar com um aluno de Angicos, veio um homem da idade dele, trabalhador de feira, analfabeto, mas mestre em matemática. A conclusão dos dois é que ele era analfabeto e ao cabo de 12, 15 horas, ele veio pela segunda vez, e já sabia escrever e ler um bilhete simples, ao cabo de 30 horas, entrou na biblioteca e disse “aqui é um armazém de livros”, devia ter 17 mil volumes, na época. Meu pai pediu para ele ler um verbete e dizer o que tinha entendido, ele e leu e depois escreveu um bilhete simples do que havia entendido, depois o meu pai deu um livro mais complexo, o comerciante leu, mas não entendeu todas as palavras, já que não faziam parte do seu universo ainda. Em seguida, pegou um livro em inglês, leu em voz baixa, já que não sabia ler, disse que se conseguisse escutar, era como os trabalhadores da SANBRA, empresa bordoeira da Baixa Verde, onde havia muitos trabalhadores ingleses. Ou seja, são vários testes que fizemos ao longo das 40 horas para identificar a evolução da aprendizagem. Há um livro de um dos colegas que estavam lá, Carlos Lyra, que se trata de um diário das 40 horas de Angicos que está disponível na biblioteca que mostra a evolução de hora em hora. 

IHGRN: Como surgiu a ideia de trazer Paulo Freire pro experimento de Angicos?

Marcos Guerra: Há 2 versões verdadeiras, a de Calazans Fernandes, secretário de educação, ainda no começo do governo de Aluízio, ele tomou consciência de que dentre as inovações que o governo oferecia, uma importante seria na área da educação, e uma das metas era a questão da alfabetização. Calazans começou a buscar métodos diferenciados, um amigo dele, Odilon Ribeiro Coutinho, deputado federal pelo Rio Grande do Norte, tinha estudado na faculdade de direito com Paulo Freire. Um ano antes, Paulo Freire havia experimentado um método diferente com um grupo muito pequeno de cinco pessoas. Odilon sugeriu que começasse de um jeito único, ele marcou um encontro para conversar com Paulo Freire para poder apresentar. Simultaneamente, eu era presidente da União Estadual dos Estudantes, a UNIRN estava estimulando atividades de alfabetização, além disso, eu havia ido conversar com Paulo Freire, com o mesmo objetivo, ele não havia me dito que tinha conversado com Calazans, na realidade não era importante, ou seja, nós dois fomos procurar por Paulo Freire e concluímos que ele seria uma excelente solução, já que seria mais rápida e bem mais barata. 40 horas o custo aluno era de 37 dólares, valor muito baixo. Não dá para fazer uma hora por dia, já que não havia regularidade, mas 40 horas demoram cerca de cinco, seis semanas. Quando Calazans foi falar com Paulo pela segunda vez, Paulo Freire fez uma proposta para o governo, já que dirigia o programa de extensão cultural da Universidade de Pernambuco, podendo prestar uma assistência técnica ao Governo do Rio Grande do Norte. Ainda não estava na cabeça de Paulo Freire que a próxima ação já seria uma experiência de massa, mas juntou a possibilidade, já que o Governo Aluízio Alves queria ter uma atividade significativa em matéria de alfabetização. Já havia outras duas atividades muito reconhecidas, “De pé no chão também se aprende a ler” e a Rádio Rural, a terceira atividade seria muito importante para o governo.

quinta-feira, 20 de outubro de 2022

Entrevista com Alexandre Gurgel

 
    Alexandre Cláudio de Oliveira Gurgel é um jornalista, servidor público, escritor e pesquisador potiguar. Sócio do Instituto desde março de 2022, o jornalista agraciou o acervo do IHGRN com a recuperação e devolução de uma peça que outrora dele fez parte: uma carta de Felipe Guerra, datada de 1915. O documento antigo foi adquirido pelo sócio em um leilão de São Paulo e entregue ao Instituto em recente solenidade.
    Na primeira imagem, o sócio Alexandre Gurgel entrega a carta de Felipe Guerra à presidente do Instituto, Joventina Simões.

Imagens: Maria Simões (1); Acervo pessoal/Reprodução (2)

Confira na entrevista com Alexandre Gurgel, concedida a Gustavo Sobral e Marcela Bulhões.

IHGRN: Qual a sua formação acadêmica e atividades profissionais?
Alexandre Gurgel: Sou jornalista graduado pela UFRN em 1993, e pós-graduado em Gestão Pública pela Escola da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte. Sou servidor da Assembleia Legislativa, escritor e pesquisador.

IHGRN: Quais são suas áreas de estudo e interesse?
Alexandre Gurgel: Minhas áreas de interesse são: cultura popular, arte popular, arte potiguar, formação das culinárias potiguar e brasileira, e história potiguar.

IHGRN: Qual seu interesse pela história e cultura do Rio Grande do Norte?
Alexandre Gurgel: Total. Como pesquisador, tenho me dedicado a trazer de volta ao Rio Grande do Norte, obras -- que se encontravam ou se encontram fora do Estado -- de nomes referenciais das nossas artes, como: Xico Santeiro, Maria do Santíssimo, Manxa, Luzia Dantas, Ana Dantas, Dorian Gray, Newton Navarro, entre outros, além de documentos históricos relacionados às nossas cultura e história. 

IHGRN: Quando se tornou sócio do IHGRN?
Alexandre Gurgel: Em março deste ano.

IHGRN: Como descobriu e o que lhe motivou a adquirir a carta de Felipe Guerra em leilão?
Alexandre Gurgel: Como citei anteriormente, o meu campo de pesquisa é muito vasto. Tenho uma excelente rede de contatos fora do Rio Grande do Norte, além de participar de leilões virtuais, sempre em busca de peças e documentos ligados ao RN. Num desses leilões virtuais, encontrei a carta de Felipe Guerra. Quando vi que tinha sido endereçada ao Instituto Histórico e Geográfico do RN em 1915, e já tendo tomado posse na cadeira do meu patrono e pai Deífilo Gurgel -- figura imprescindível na minha formação de pesquisador e amante das nossas raízes -- como sócio efetivo, me senti na obrigação de adquirir a carta e devolvê-la ao IHGRN, proprietário de fato e de direito da missiva histórica.
Além da carta de Felipe Guerra, já trouxe de volta ao RN: documentos assinados por Tavares de Lyra e Meira e Sá, um vasto acervo sobre o ex-presidente da República, o potiguar Café Filho, outro importante acervo de memorabilia sobre a aviação potiguar, brasileira e sobre a Panair que funcionou nos primórdios da RAMPA, entre outros.

quinta-feira, 21 de julho de 2022

Entrevista com Nadeje Soares da Silva

 
Secretária e auxiliar de biblioteca e arquivo do IHGRN

Nadeje possui cursos de atendimento ao cliente, operador de telemarketing, gestão de projetos, gestão de problemas, metodologia de análise e solução de problemas. Em 2020, começou a prestar serviços voluntários ao IHGRN. Sua atuação na instituição se dá na parte do secretariado, atendimento ao público e auxílio aos bibliotecários com livros e arquivamento de jornais. A entrevista foi concedida a Gustavo Sobral e Marcela Bulhões.

IHGRN: Em que consiste seu trabalho de secretariado no IHGRN?
Direcionar os sócios e diretores à sala de reuniões.

IHGRN: Quais as principais dificuldades encontradas na execução do seu trabalho na biblioteca e arquivo?
As dificuldades encontradas são poucas, pois não trabalho diretamente nessas funções.

IHGRN: O que lhe motivou a ingressar no IHGRN como colaboradora voluntária?
Incentivada por uma ex-colaboradora do IHGRN, que me fez o convite.

IHGRN: Na sua opinião qual a importância do IHGRN e da sua existência para o Rio Grande do Norte?
Na preservação da memória, no cuidado da restauração de obras raras, organização de todo o acervo. Tudo isso contribui para que o IHGRN continue a promover esse espaço dedicado a todos aqueles que buscam pesquisa e conhecimento sobre o nosso estado.

IHGRN: Quais atividades você desenvolve atualmente na instituição?
Recepcionista, atendimento telefônico, arquivamento de artigos de jornais e auxílio aos bibliotecários.

IHGRN: O que representa, para você, fazer parte do IHGRN?
Fazer parte do IHGRN  pra mim é muito gratificante, pois estou conhecendo, aprendendo e vendo de perto como funciona todo o trabalho que é dedicado a essa instituição e com a preservação da memória do estado do Rio Grande do Norte.

sexta-feira, 15 de julho de 2022

Entrevista com Franklin Diego Felipe de Lima

 
Guia do museu do IHGRN

    O acervo do Museu é composto de esculturas, adereços, artefatos, telas, retratos, fotografias, documentos e livros amealhados ao longo da história do Instituto, fruto de doações que se distribuem em salas e estantes designadas. 
    A organização e guarda desses itens contam com a atuação de colaboradores do Guia do Museu, Franklin, que ao longo de sua estadia no Instituto, desempenhou mais de uma função.
    Franklin é técnico em mineração pelo Instituto Federal do Rio Grande do Norte (IFRN). Em 2018, começou a prestar serviços voluntários ao IHGRN, dedicando-se à organização e catalogação dos livros da biblioteca da instituição. Tem atuação no Museu de Minérios como guia, escultor e prestação de apoio técnico. Atualmente, Franklin é guia do museu e trabalha no resgate de mapas e fotografias a partir de desenhos. A entrevista foi concedida a Gustavo Sobral e Marcela Bulhões.

IHGRN: Em que consiste o trabalho de um guia de museu?
O trabalho do guia de museu  consiste em acolher, receber, apresentar  e esclarecer dúvidas dos visitantes sobre o acervo.

IHGRN: Qual a importância e o papel do guia para a apresentação de uma instituição como o IHGRN?
A importância do guia na apresentação de uma instituição como o IHGRN é manter a  história preservada na mente dos visitantes e assim fortalecer a identidade cultural.

IHGRN: Quais as principais dificuldades encontradas na execução do trabalho e por que ele é importante?
As maiores dificuldades encontradas na execução do trabalho são a falta de apoio dos órgãos públicos e  uma aproximação mais estreita com escolas e instituições de ensino.

IHGRN: Na sua opinião qual a importância do IHGRN e do seu acervo para o Rio Grande do Norte?
A importância do IHGRN e do seu acervo é imensa para o Estado, contribuindo para a preservação da história, a continuidade da informação e para a expansão da cultura. O IHGRN mantém a identidade no nosso estado viva.

IHGRN: Quais atividades você desenvolve atualmente na instituição?
Atualmente, desenvolvo um trabalho de resgate de imagens e informações através dos desenhos e ainda ajudo no acervo do IHGRN.

IHGRN: O que representa ter participado do processo de organização do acervo do IHGRN?
Ter participado do processo de organização do acervo do IHGRN, me trouxe um aprendizado enorme, mas posso destacar um sentimento ainda maior. O sentimento de contribuição com a sociedade e a população do Rio Grande do Norte.

quinta-feira, 26 de maio de 2022

Entrevista com Marcela Bulhões

 
Assessoria de comunicação e o Instituto

    O Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte é biblioteca, arquivo e museu e conta, atualmente, para divulgação do seu acervo e de suas atividades, com uma série de espaços de comunicação, blog, redes sociais (Facebook, Instagram, Twitter, WhatsApp) e contato direto com a imprensa.
    Atividades que contam com a assessoria da jornalista Marcela Bulhões, responsável pela edição e produção de textos, postagens, envio de releases, confecção dos boletins, contato com a imprensa, clipping e revisão textual.
    Marcela Bulhões é graduada em Geografia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e formanda no curso de Comunicação Social (Jornalismo) na mesma universidade. Trabalha com assessoria de comunicação e atuou nas áreas de informática, meio ambiente e assistência social. Atua no Instituto desde julho de 2021.
    A entrevista foi concedida a Gustavo Sobral.

IHGRN: Em que consiste o trabalho da comunicação em uma instituição como o IHGRN?
Majoritariamente, elaboração de textos para matérias veiculadas no blog e nas redes sociais, boletins de notícias, envio de releases e contato com a imprensa.

IHGRN: Qual a importância e o papel do jornalista para a comunicação institucional?
O jornalista colabora com o objetivo de firmar o posicionamento da instituição tanto para o público interno, quanto para o externo, apresentando as atividades da Instituição. O jornalista também trabalha a identidade e a imagem da instituição, divulgando as ações institucionais nas diversas plataformas nas quais se faz presente.

IHGRN: Quais as principais dificuldades encontradas nas suas atividades diárias e os desafios?
O maior desafio certamente é a estreia na função em si. Por nunca ter atuado na área, tudo ainda estava no campo da teoria. Colocar essa teoria em prática requer um ajuste às particularidades do serviço em si e de um enfrentamento ao que era novo. As dificuldades encontradas dizem mais respeito à pouca experiência na área do que às atribuições em si; dificuldades em escrever sobre certos assuntos exigem um tempo para pesquisa e familiarização com temas antes pouco explorados por mim ou ainda desconhecidos.

IHGRN: Na sua opinião, qual a importância do IHGRN e do seu acervo para o Rio Grande do Norte?
O Instituto é importante não apenas pela sua longevidade, mas pelo peso histórico de tudo que abriga em seu precioso acervo. Com obras raras e itens que datam desde a época do Brasil colônia, a instituição é uma importante fonte de pesquisa para acadêmicos e profissionais. A cultura e a história do RN estão registradas na Revista IHGRN, nos jornais antigos, nas peças do museu e em tudo que o Instituto guarda.

IHGRN: O que representa para você participar das atividades do IHGRN?
É um desafio, mas também uma honra. Faço parte de uma respeitada, sólida e importante instituição que ainda servirá à sociedade e à cultura por muito tempo. Tenho a sorte de trabalhar com uma equipe de pessoas muito solícitas, educadas e sempre prontas a colaborar umas com as outras. Estamos construindo algo importante e o resultado do nosso trabalho em equipe é gratificante, pois a cada dia vemos o Instituto avançar no que se propõe, apesar das limitações de recursos financeiros e humanos.

quinta-feira, 12 de maio de 2022

Entrevista com Matheus Pereira

 
    Matheus Silva Rodrigues Pereira é graduando em Turismo pela UFRN, aluno do curso técnico de Guia de Turismo pelo IFRN, atua no ramo de EPS na Isonatal. Em 2021, ingressou no Instituto e assumiu a função de monitor do museu. A entrevista foi concedida a Gustavo Sobral e Marcela Bulhões.

IHGRN: Em que consiste o trabalho de um turismólogo em um acervo híbrido como o do IHGRN?
Um turismólogo pode trabalhar ativamente no museu, com produção de eventos, no marketing da Instituição, além de questões administrativas.
 
IHGRN: Qual a importância e o papel de um turismólogo para o IHGRN?
Em primeiro lugar, acredito que seja muito importante esclarecer o que faz um turismólogo. Somos responsáveis pela organização e planejamento de viagens, eventos e atividades de lazer. Também podemos atuar na venda de passagens, passeios e excursões. Além disso, trabalhamos em áreas socioeconômicas e culturais relacionadas ao turismo. Aqui é o ponto em que tanto o IHGRN, quanto o turismo ganham ao trabalharem juntos. O Instituto possui um acervo que conta não só a história do Rio Grande do Norte, mas que também guarda a identidade de uma nação. E o turismo pode ser a ferramenta para atrair a população mediante atividades de turismo de base comunitária ou em planejamento de atividades para a recepção de turistas.
 
IHGRN: Na sua opinião qual a importância do IHGRN e do seu acervo para o Rio Grande do Norte?
Vejo o IHGRN como salvaguarda da memória e da cultura potiguar com um trabalho fundamental de divulgação e incentivo de pesquisas que ajudam a resgatar a memória e a cultura norte-rio-grandense.  
 
IHGRN: Quais atividades você desenvolve atualmente na instituição?
Atualmente, ajudo na manutenção do museu e da biblioteca, além de realizar algumas pesquisas para auxiliar no trabalho atual da instituição. 
 
IHGRN: O que para você representa participar das atividades de uma instituição como o IHGRN?
Trabalhar no IHGRN é acima de tudo uma satisfação pessoal. Tenho como princípio ajudar as pessoas pela educação e enxergo o Instituto como uma ferramenta para ajudar a transformar a vida das pessoas e a preservar a nossa história. Além do mais, participar de uma instituição centenária exige que ofereçamos o nosso melhor, pois sei que sou apenas passageiro e que um trabalho bem feito perdurará com a instituição para além de mim.